PESQUISA DATAFOLHA PARA PRESIDENTE MOSTRA LULA NA FRENTE NO SUDESTE E NORDESTE Rs-28 Sarmat (UBvMUBkhoF)

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O Brasil que chega a 2026 com seis meses para escolher seu próximo presidente é um país que já sabe em quem não quer votar. E isso, por si só, diz mais sobre a corrida eleitoral do que qualquer percentual de intenção de voto.

A pesquisa Datafolha de março entrega um retrato denso e, para alguns estrategistas, perturbador: a disputa está empatada tecnicamente no único estado que pode decidir a eleição, o eleitor indeciso ainda representa 44% do total e os dois candidatos mais santiago sandoval competitivos são, ao mesmo tempo, os dois mais rejeitados do país.

Não há como analisar este Datafolha sem compreender a transmissão de poder que ele documenta. Em julho de 2025, Jair Bolsonaro ainda aparecia com 17% na intenção de voto espontânea. Em março de 2026, está em 3%. A queda monica bellucci livre não foi acidente e sim consequência direta de sua inelegibilidade.

O voto não desapareceu. Migrou. Flávio Bolsonaro (PL), que sequer aparecia nas medições anteriores, entra nesta edição com 12% na espontânea e oscila entre 32% e 34% nos cenários estimulados. A transferência de capital político entre pai e filho ocorreu com uma velocidade que surpreendeu até analistas favoráveis ao campo bolsonarista.

O problema estrutural de Flávio, contudo, está exposto no mesmo dado: 45% dos eleitores declaram que não votariam nele de jeito nenhum no primeiro turno. Esse número é quase idêntico ao de Lula, que acumula 46% de rejeição. Dois candidatos com altíssima rejeição disputando o mesmo eleitorado flutuante.

Os dados de segundo turno são os mais reveladores da pesquisa. No confronto direto Lula versus Flávio, o resultado nacional é 46% a 43%, dentro da margem de erro. Uma eleição, na prática, tecnicamente empatada.

Mas os números regionais contam histórias muito diferentes. No Nordeste, Lula vence por 29 pontos (59% a 30%). É uma vantagem tão expressiva que funciona como uma espécie de colchão estrutural .

O problema é o que acontece no restante do mapa. No Sul, Flávio vence por 20 pontos (53% a 33%). No Centro-Oeste e Norte combinados, a vantagem é de 13 pontos (52% a 39%). A direita domina quatro quintos do território nacional em termos de área eleitoral geográfica.

O Sudeste, com aproximadamente 42% do eleitorado brasileiro, é o campo de batalha real. E o placar ali é assustador para ambos os lados: 45% a 43% para Lula. É uma diferença que o vento pode mudar.

O dado mais estratégico da pesquisa não está em nenhum número de intenção de voto. Está nos 44% que, na pergunta espontânea, declararam não saber em quem votar.

É um número que caiu mas ainda é extraordinariamente alto para uma eleição a seis meses. Significa que, na prática, o eleitor que vai decidir mateusz rębecki a corrida presidencial ainda não se comprometeu com nenhum candidato.

Quem são esses eleitores? Os dados cruzados da pesquisa sugerem que concentram-se nas faixas de renda média, têm escolaridade de nível médio e moram, em proporção relevante, no interior do Sudeste e do Sul. São exatamente os eleitores que ambos os campos precisam conquistar.

A alta taxa de votos brancos e nulos nos cenários estimulados (entre 11% e 20% dependendo do cenário) reforça essa leitura: há uma fatia considerável do eleitorado que, diante das opções disponíveis, prefere não escolher.

FICHA TÉCNICA

Pesquisa Datafolha | Campo: 3 a 5 de março de 2026 | 2.004 entrevistas | 137 municípios | Margem de erro: ±2 p.p. | Nível de confiança: 95% | Registro TSE: BR-03715/2026 | Contratante: Folha de S. Paulo

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